sábado, 24 de dezembro de 2011

Por que eu AMO o Natal

1) É o único motivo para que não pule Dezembro.
2) Todas as cidades que eu conheço ficam mais bonitas, principalmente a noite. São luzes de Natal por toda parte, e muitas cores, enfeites bem coloridos, bolas, trenós, duendes, animais, árvores gigantescas e músicas.
3) Sim, eu adoro as músicas de Natal (se bem que eu reconheço que Simone não dá). São alegres, esperançosas, com toques infantis. Eu não paro de cantarolar e fico procurando versões mais bonitas todo ano. Ah, tem os filmes também! E que não venha uma alma chata dizendo que todos são iguais: continuo achando eles super divertidos.
4) Ir ao shopping geralmente é um programinha chato, mas apesar da multidão, vale a pena dar fazer uma visitinha só pra curtir a decoração. Esse ano, fiquei encantada com um urso gigante que abria os olhos e falava com as crianças que davam gritinhos de alegria e ficavam dançando ao redor. Achei tão fofo que quase peguei uma criança para mim, só para me dar tchau do trenzinho que passava na frente do ursão.
5) Adoro o Papai Noel, e acho divertido o quanto ele consegue se inovar. Hoje eu fiquei admirando um com uma voz linda, tocando violão na frente de uma loja em Volta Redonda. Semana passada fiquei igualzinho uma criança rindo de um em cima de uma charrete na pracinha em frente a minha casa, com os cachorros todos correndo em cima dos cavalos.
6) As comidas. Tudo fica mais delicioso no Natal. Eu saio comendo tudo, castanhas, avelãs, nozes, frutas docinhos, peru, chester, lombinho, fiesta, tortas, rabanadas, e muito mais, não tem como não ser feliz.
7) Recesso natalino!!! Eu nem curto tanto ele hoje, mas sei que logo será tão bom parar de trabalhar no dia 20 de dezembro!
8) Cai no dia no aniversário de uma das pessoas mais importantes da minha vida: minha avó. E mesmo que ela não se lembre mais que é o dia dela, não é motivo para não comemorar – uma pessoa tão linda deve sempre ser celebrada. E sempre comemos bolo.
9) Anos atrás, o Natal era a data onde a minha casa ficava mais cheia. Era incrível ter árvores de natal cobertas de chocolate, organizar peças de teatro só com os amigos e apresentar no bairro, passar a noite inteira acordada e sem ter que ligar a TV, mil comidinhas diferentes. Mas o tempo passou, mudamos, e hoje a casa fica quase vazia, não mais fechamos a rua do bairro para comemorar com os vizinhos. Mas o nosso Natal também se renovou e não perdeu a força, só ficou diferente – e continua sendo uma delícia comemorar ao lado da minha família.
10) Presentes! Amo presentes sempre, mas no Natal eles sempre são mais bonitos (e mais caros)! Fico super emocionada quando, apesar da louca correria do final de ano, dos preços, de todo o estresse, recebo um presente de alguém que gosto, que conseguir achar um momento para pensar em mim. Amo demais.
11) É certo que algumas pessoas piram nossa época do ano  - culpo Dezembro – mas outras ficam super bem humoradas. Essa semana, em vez de tchau, eu só ouvi Feliz Natal! E com essa frase sempre nasce um sorriso. Muito mais legal cumprimentar assim.
12) Eu gosto do calor do verão até o Natal, quando ele passa eu fico querendo o outono.
13) Adoro os showzinhos natalinos. Todo ano fico esperando o que vai acontecer na frente do banco da Nossa Senhora da Paz. Vejo programação de coral, e fico torcendo para conhecer as músicas. Até sigo procissão, porque fica tão legal no Natal, todo mundo com roupas largas e velas na mão. Ontem cantei na de Santa Luzia.
14) O espírito de Natal me pega de jeito mesmo. Então vejo menos motivos para ficar com mágoas do passado. Não é a passagem de ano que me faz querer tornar tudo melhor, e sim o Natal. Faço o possível para amenizar tudo que pareceu tão ruim e ganhou feições dramáticas, e tento pelo menos mandar uma mensagem para alguém que já fez parte da minha vida. Mesmo que essa mensagem não chegue, que fique só dentro de mim, acho que faz bem essa energia. E sigo a vida.  
15) É a época que mais me faz acreditar em milagres.
Feliz Natal meus amigos!

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

O tempo não é linear

Porque há três semanas essa frase brinca na minha cabeça e eu luto contra ela, pois não aceito, não acredito e quando acho que convenci o tempo a vida vem de palhaçada e mostra que estou errada, repetindo fatos, frases, pessoas, casos, papos, tanta coisa, e eu volto a ficar confusa e cada vez mais irritada porque percebo que eu estou sendo ainda mais redundante que o tempo querendo brigar com ele em vez de aceitar o que pode ser verdade. Mas se tudo é mesmo circular eu tenho sempre que ser teimosa porque é essa minha maneira de ser e tudo continua da maneira que ele quer, eles querem, o tempo, o destino, o universo, sempre conseguem o que querem.
E se tudo é circular, e não linear, é preciso saber se recomeçar é entrar em uma nova roda ou se no final não adianta correr esconder ou fugir, a ciranda é a mesma no final de tudo.
O tempo é linear sim e continuo repetindo e repetindo e repetindo...
Confusa, eu? Imagina.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Desejos gastronômicos

Eu tenho muita pena de mim quando eu estiver grávida.

Eu sempre tive o olho muito grande para comida, mas já faz um tempo que eu tenho vontade louca por coisas que eu não gostava antes. Começou com a berinjela. Eu sempre odiei berinjela, não conseguia sentir o cheiro que dava ânsia.

Até que um dia eu entrei no restaurante que eu almoçava todos os dias, olhei para a cara da berinjela e achei deliciosa. E tive que provar novamente e foi uma paixão louca: fiquei semanas só comendo todas as variações possíveis de berinjelas e não entendo com pude passar tanto tempo da minha vida odiando algo tão, mas tão gostoso. Hoje é um dos meus pratos preferidos.

O inhame é outra paixão desse ano. Eu também sempre fiz careta, e um dia a Karine fez de almoço e eu reclamei e reclamei. E aí ela me chamou de fresca e para provar que ela estava errada (porque eu sou fresca com muitas coisas, mas não com comida!), coloquei no prato e coloquei na boca com toda a coragem do mundo. E na hora pensei, meu Deus, que delííííciaaaaaa... hoje ela tem que fazer inhame toda semana para mim.

Há um mês atrás, eu olhei um nabo na feirinha orgânica e fiquei apaixonada. Que vontade de comer nabo! Liguei lá pra casa e queria saber como fazia, come cru, cozido? Eis a resposta da minha mãe:

 - Desde quando você come nabo?

 - Eu sempre gostei, não?

- Claro que não, é muito ruim.

E até hoje eu não comi o bendito nabo e não consigo parar de pensar nele.

E ontem eu fui almoçar em um Café super gostoso no Centro do Rio, porque eu tinha que comer cookie de sobremesa. Como eu já sabia que queria doce, resolvi comer uma salada com quiche, alias, deliciosa, com pedacinhos de pêra seca e nozes, e eu estava super satisfeita com o meu almoço. Quando já estava no meu café, deliciando o meu cookie com pedaços de castanha, quando ouvi o cara na mesa ao lado falando que queria comer risoto de frango com açafrão. O QUE? Como eu não vi isso no cardápio? Eu tinha que comer risoto de frango com açafrão, mas já estava na sobremesa! Comecei a entrar em pânico, se seria muita loucura voltar a almoçar – e se ainda caberia algo no meu estomago – quando ouvi a garçonete falar:

- Esse prato está delicioso. Você quer ele mais sequinho ou molhadinho?

(COMO ASSIM, VOCÊ QUER ME MATAR??!)

- Tanto faz, você decide.

(EU DECIDO, EU DECIDO, MAS DIVIDA COMIGOOO)

E lá foi a moça, e eu fiquei tão triste na minha mesa, me sentindo repentinamente tão sozinha porque não tinha ninguém ali comigo para dividir o risoto de frango com açafrão.

Sai triste do restaurante (e pretendo voltar lá hoje e todos os dias seguintes até finalmente conseguir comer o prato) e liguei para a minha mãe. E contei para ela que comi uma salada deliciosa, mas queria muito ter comido o risoto com açafrão.

- Que bom que você gosta de açafrão! Eu já fiz esse risoto várias vezes aqui em casa e você nunca quis comer. 
- Claro que eu gosto, eu amo! Você está me confundindo com a Mônica. Estou com água na boca, que droga que não vi que tinha antes!

- O que é açafrão Leilane?

-  ...

Mas eu sei que eu amo. Eu sinto isso.

Tenho muita pena de mim quando eu estiver grávida. Acho que vou deixar muita gente doida.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Crescendo

Alguma coisa mudou em mim depois que eu fiz 29 anos. Não é porque acabou o meu inferno astral, não é porque Saturno passou pela minha vida. Nada disso faz sentido mais para mim, que buscava entender desesperadamente o porquê de tanta coisa não querida estar acontecendo ao meu redor.
Na verdade, já sentia uma pequena mudança um pouco antes, mas achei que poderia ser apenas uma impressão, e logo passaria. Mas não. O que sinto está me fortalecendo e mais e mais, e sinto somente tranquilidade, o que é engraçado porque nem é uma época para me sentir assim. Seis meses atrás eu estaria perdida, confusa, raivosa. Hoje não. Paz. Acho que cresci e não mais me importa.
Será que finalmente eu fiz as pazes comigo? Eu, que estava tão perdida dentro de mim, que há anos seguia apenas o que esperavam, mas não da maneira em que eu enxergava. Eu, que sempre fui tão certa das minhas escolhas, mesmo que erradas, mas sempre minhas, acabei me ligando no automático e segui pedindo opiniões e conselhos e aceitando-os, sem força para pensar ou lutar contra corrente, o que sempre gostei de fazer.
Não sei exatamente porque me joguei pra escanteio. Eu não me esqueci dos argumentos usados, mas não sei porque foi que decidi deixar que eles convencessem por tanto tempo. A sorte é que nunca me esqueci. E como a nulidade sempre foi relativa, de certa forma sempre coexisti. Só que cansei de me sentir a vontade somente quando estou longe de casa. Claro que eu amo me achar em tantos lugares, gosto da minha natureza de ser parte do mundo como um todo, de ter a alma grande. Só que tenho que voltar a me encontrar onde me encontro. Mesmo não sendo tão mágico, mas é o agora.
Meus amigos, eu não fiquei louca de vez, acreditem. Só estou voltando pra casa, e que seja infinitivamente melhor do que já era. Prometo que não vou deixar ninguém de lado, e vou continuar sempre por perto e partindo pra briga. Mas chega dessa coisa de tirar férias de mim.
De fato, amadureci. Por mim.  

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

O que penso no meu silêncio

Lembro exatamente o que pensei quando eu te conheci – sempre marca quando encontramos alguém que sabe ser feliz. Foi em um lugar com tanta gente estranha, mas quando almas se encontram, imediatamente vem a sensação de reencontro. Porque não parece o primeiro encontro, e sim mais um com um intervalo de tempo que não sabemos contar.
Pois é. Você era tão radiante que conseguíamos falar nas risadas. A sua, tão forte, tão segura, e até doía conversar com você. Risada de pessoa feliz. Já escrevi feliz antes, eu sei, e vou repetir outras vezes porque eu sempre pensava quando te encontrava – que delícia ser assim!
Não que você não tivesse peso do passado. Mas o problema era seu, e era passado. Tudo serviu para te deixar tão melhor. E aí você acabou se tornando um exemplo para todos a sua volta, mesmo sem querer.
Mas ultimamente eu não te vejo mais assim.
Não deixei de ter admirar. Muito menos de achar que você é alguém excepcional. Mas hoje, vejo que você se perdeu e nem tem mais noção disso. Ou tem, mas ignora, por ser tão dolorido pensar. Entendo. Você resolveu construir uma ideia de futuro ideal. Mas você errou. Não se pode prever o que será bom no futuro. A gente muda muito, e o que parece ser bom hoje, pode não ser suficiente amanhã.
Eu sei o quanto é difícil desconstruir uma ideia. Fere. Arde. Mata. Mas depois de todo o processo de luto, a vida segue, e a gente também. No final, sempre vale a pena, não pense que não. Não sei porque, mas o novo sempre melhora. Você sabe disso, eu sei.
Mas antes, você precisa voltar a ver. E esse será o seu momento de total solidão. Porque você reluta ainda a acreditar e não adianta ninguém no mundo inteiro te falar. Se soubesse quantos percebem, mas não podem te contar. Também, nem adiantaria. Depende de você, que vai ter abrir seus olhos e enxergar o que está tão na cara.
Para isso, é só você voltar a se lembrar de como é ser feliz. Não se assuste, essa é a sua natureza. Volte a se lembrar para novamente ser.



sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Anoxia


Eu ando me sentindo sufocada nessa semana, e percebo que isso sempre acontece quando passo um mês na mais intensa rotina. Estava tentando conter todo esse sentimento, mas no domingo de manha, após andar uma horinha apenas de bicicleta, lembrei o quanto amo ser solta no espaço. A pedalada não me ajudou – foi tão curta. E não ajuda quando acho que sou a única a me sentir assim. Tentei voltar para a semana cheia de aulas e para o barulho de TV, mas ontem eu tive que sair e correr na rua (porque decidi novamente abandonar a academia), apenas para me sentir dona de mim novamente.

 Ainda por cima, fiquei doente. Mas acho que fiquei mesmo foi doente da alma. Eu me senti tão sufocada dentro da sala de aula e ao contrário das pessoas que se sentem assim, e se trancam, eu quis sair para o mundo. Mas como não foi possível, tive que sentar na varandinha pequena do meu apartamento e respirar. Porque parecia que meu oxigênio tinha diminuído e só depois de horas que ele voltou. Fiquei quase meditando na mesma posição até voltar ao normal.

E aí eu li o texto de uma amiga que passeou em Bali e ela falou em anoxia. Ela já tinha mencionado isso para mim, mas eu apenas me lembrei ontem. Acho que sofro do mesmo mal – nem acho que peguei dela, sempre me senti assim e nunca soube me expressar. Às vezes, mesmo em ambientes grandes, parece que estou entubada e só fico longe bem quando profundamente respiro. Achei engraçado porque mesmo distante, minha amiga – que tem a mania de acertar as coisas – me ajudou a lembrar que eu não sou a única a me sentir assim, e no mesmo instante me sentir acompanhada.

 Apesar da definição de anoxia no Wikipedia não definir o que eu sinto (falta de oxigenação no cérebro!), entendi o sentido que a minha amiga quis dar a essa “sensação”. No meu caso, é como se a falta de liberdade limitasse meus sentidos, me enfraquecendo e me deixando fora de mim. Por isso a falta de ar. Por isso preciso sair e respirar. E a rotina tem a péssima mania de me fazer sentir assim, presa. Dizem que a vida de adulto tem que ser assim, com muita rotina. Eu acho que é mais uma coisa que as pessoas falam porque repetem as regras, mas não porque acreditam.

Essa semana, para piorar, assisti ao filme Melancolia, o que me deixou sem fôlego. A amiga que assistiu comigo disse que ainda bem que ela está numa boa fase e não estuda mais para concurso. Muito legal, eu ainda estudo. Mas acho que nem é isso o que me aperta. É o não saber se conseguirei ficar bem fazendo a mesma coisa, convivendo com pessoas que são tão distantes de mim – porque eu já sei que elas serão. É o pior lado da minha opção de carreira. Culpa desse lado virginiano ruim que cisma em tentar me deixar mais certinha para os padrões convencionais. Mas isso, ocasionalmente, só aumenta a minha sensação de “anoxia”. E nem sei se tem cura pra isso.   

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Para uma amiga

Uma das coisas que eu mais odeio é sentir que eu não possuo nem um pouco de poder sobre uma determinada coisa ou evento. Odeio quando eu não posso conduzir os eventos da maneira que acredito ser mais correta, odeio não poder decidir sobre como as coisas devem ser. Odeio me sentir tão nada.
Essa sensação de impotência me deixa muito irritada, e para não me descontrolar, o que preciso fazer é sentar, respirar muito e começar a fazer a única coisa ao meu alcance nesses momentos: orar.
Então, minha amiga, saiba que sempre que me vem à mente (e você sempre está comigo)¸ eu paro por alguns segundos e oro por você.
Eu não entendo porque tudo está acontecendo da forma como está; e ainda não sei qual será a consequencia positiva no futuro por tudo o que você está passando, mas sei que terá. E sei que agora você está tão enclausurada - só o tempo vai voltar a te abrir - e por isso não adianta conversar por telefone, porque por razões compreensíveis, você não está escutando.
Por isso resolvi deixar essa mensagem sempre presente pra você, nesse espacinho tão pequeno que de certa forma nos conecta: eu preciso dizer o quanto estou orgulhosa de você. Muito. Como nunca estive antes.
Você, hoje tão mulher, tão forte que chego a pensar que nem te reconheço mais. Mas sei que é como você tem que ser agora. E essa sua atitude de ser tão independente em  horas onde muitos desabam – e por muito menos – só confirma que você é uma das pessoas mais incríveis que eu conheço.
Muita vontade do seu abraço. Logo estará tudo bem e vamos nos reencontrar e dar muitas risadas dos nossos probleminhas cotidianos. Você, adulta. E eu te admirando ainda mais.